sábado, 6 de junho de 2015

Alecrim

Tenho dois troncos, que penso juntar com enxertia. Se assim for, caminho em busca de um Han-Kengai. No futuro irem podar os dois primeiros ramos, demasiado longos, sem movimento e conocidade.


Daqui fica a Lisnave do outro lado,


com marcas de ferro frio,


com as mãos enferrujadas e abandonadas


Parece sujar o rio,


mas torna-o mais calmo e oleado.




O Tejo vai dar ao Mar,


nós também o temos,


a diferença é que nele nascemos,


e por vezes não sabemos voltar,


e a vida torna-se mais perdida,


Completamente suja e fria.




Podemos andar, nadar ou voar,


desde que não percamos os sentidos,


que é quente o nosso mar,


não nos devemos deixar sozinhos,


Porque não saberemos traçar o rumo.




Larga o Cais do Sodré,


Pisa a calçada preta e branca,


leva contigo aroma a Alecrim,


Deixa tudo,


deixa de ler, de escrever


de estudar ou de crescer


Deixa tudo por tudo,


Deixa lá os comboios


Deixa a fome em Alcantara,


e os ricos da lapa,


deixa o fado em Alfama,


ou a guitarra na baixa.


Deixa tudo por tudo,


deixa a baixa e o rato,


deixa as peixeiras na mouraria,


livra-te de belém e são bento


deixa a Amália e o governo,


vem sem nada,


ter com tudo,


no mar que te aguarda,


Na subida do Alecrim,


entre nada e o luxo


Deixa tudo por tudo,


Vem comigo, sobe em mim


vem sempre subir o aroma a Alecrim


ele estará lá, sempre quente...

o mar...


para ti.