segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Carpinus Coreana - lenda do monte dos três anos

Reino: Plantae
 Divisão: Angiospérmicas
 Classe: Rosáceas
ordem: Fagáceas
 Família: Betulaceae
 Género: Carpinus
 Espécie: Carpinus Coreana
Origem: Coreia

Carpinus Coreana. Adquiri esta árvore no Jardim de Bonsai Tavira. Vale a pena aguardar e comprar uma boa árvore. 08-14


Há muito tempo, numa pequena aldeia do interior da Coreia, morava um velho artesão. Era um homem simples, honesto, sério e trabalhador. Levou a vida a trabalhar e a amealhar. Poucas coisas lhe chamavam a atenção. Uma delas era o Monte dos Três Anos. Ao contrário de outros habitantes da aldeia, o velho nunca tinha subida ao Monte, apesar de ser belo durante as quatro estações do ano. Sempre que tinha peças para entregar na cidade mais próxima, optava pelo caminho mais longo mas mais seguro. Evitava subir ao Monte dos Três Anos, pois desde sempre que sabia que se alguém caísse pelo monte abaixo morreria três anos depois. O caminho mais longo era monótono. O vale era mais árido do que o monte carregado do verde das árvores. Nenhum animal passava para o distrair, para no final da viagem meter conversa com alguém sobre o que viu. Era um caminho de trabalho e nunca passou disso.
Com o avançar da idade as forças, como se sabe, vão-se esgueirando pelo ossos até chegar à sombra que o corpo faz no caminho. Pelo que certo dia, o velho resolveu escolher o caminho do monte. Com todo o cuidado foi subindo, sabendo que o complicado seria descer. Evitou pedras, teve cuidado com o terreno mais escorregadio, não se aproximou da berma, nem saiu do caminho. Desviou o olhar da paisagem, não olhou o azul do céu. Arrumou de novo o carrinho que empurrava e levava o valor do seu trabalho. Mas lá no cimo, os pássaros afundavam-se a chirriar na copa das árvores depois saiam a rodopiar ao vento parecendo cumprimentá-los. O velho mais à frente viu um esquilo, a fugir com uma noz na boca até à sua toca no cimo da árvore. O homem sorriu, pensou que o esquilo tivesse pensado que lhe iria roubar aquela pequena noz. Continuou a avançar. Parou para olhar a paisagem lá do cimo. Ali a sua aldeia, parecia ainda mais pequena. A ribeira parecia com mais meandros e o seu caminho. Dali de cima pareceu-lhe um caminho tão duro, que percorreu durante toda a vida e perdeu a possibilidade de passar por toda aquela paz. Talvez um dia tivesse podido fazer uma paragem e comer o seu almoço. Ter trazido ali uma rapariga, para eternizar o seu amor no tronco de uma árvore. Mas não. Sempre fez o mesmo caminho.
Um pouco mais à frente, deixou-se embalar pelas cores do calor do sol, que irradiavam de um Carpinus naquele Outono. De repente saltou debaixo da base do tronco um coelho castanho, o velho seguiu-o. Mas uma pedra atraiçoou a sua pouca atenção ao caminho e lá veio o homem aos trambolhões e rebolões pela ladeira abaixo só parando no seu caminho de sempre. Assustado começou a chorar. Mas não estava assustado com a queda, estava assustado com a sentença que acabara de receber. Daqui a três anos morreria. Pobre homem... por causa de um coelho castanho, perdera a oportunidade de continuar a viver e partir daquele momento gostaria de ter vivido de outra forma.
Foi a chorar até casa. E na sua casa continuou a chorar. Passaram-se dias e a aldeia não aceitava acordar ao choro de um velho. Se fosse uma criança, tudo bem, agora um homem que não parava de chorar irritava os aldeões. Por isto, um pequenote lá da aldeia resolveu visitar o velho. Pensou a criança que talvez quisesse brincar. E foi isso que lhe perguntou depois de o velho o ter convidado a entrar. Soluçando o velho respondeu-lhe que não era isso. Estava a chorar porque morreria dentro de três anos, pois tinha caído pelo Monte dos Três Anos abaixo. O miúdo começou-se a rir. O velho parou de chorar indignado, com o sobreolho franzido e capaz de arrear-lhe umas palmadas. Quando a criança se apercebeu que estava no limite, rapidamente explicou-se. "Não há qualquer problema. O senhor não irá morrer dentro de três anos. Simplesmente agora terá de continuar a rebolar pelo monte abaixo para somar mais anos de vida a esses três anos. Assim a sua sentença, será viver mais."
E nos instantes seguintes para além do cantar dos pássaros, ouviam-se as gargalhadas de uma criança e de um velho que rebolavam pelo Monte abaixo, dia após dia ganhando tempo de vida.